quinta-feira, 16 de maio de 2013

AIRÁ


Airá normalmente confundido com Xangô, é uma divindade à parte, que não pertence à família de Xangô, tido por alguns como irmão gêmeo de Xangô.
Este orixá veste-se de branco e tem profundas ligações com Oxalá.
Airá não usa coroa, mas um eketé branco.
... Suas comidas votivas não são temperadas com dendê, nem com sal e sim com banha de ori, que em muito se assemelha com Oxalá.
Airá era um Orixá no fundamento de Xangô, Airá era considerado um de seus servos de confiança e segundo uma de suas lendas, Airá, tentou instaurar um atrito entre Oxalá e Xangô, graças a isso Airá deve ser tratado de forma diferente de Xangô, seu assentamento deve ficar na casa de Oxalá.


Airá é um Orixá relacionado a família do raio mas pode ser relacionado ao vento, seu nome pode ser traduzido como redemoinho ou furacão.
Airá então pode ser louvado como a divindade que rege o encontro dos ventos.
Em território africano, não existe registro ou relatos de pessoas regidas ou iniciadas para ele, onde ele é cultuado, o culto predominante é o de Nanã e de Obaluaiê, já que Savé é uma região que fica em território Jeje.
Pouco se sabe sobre o nascimento ou surgimento de Airá e por esta razão muitos atribuem sua filiação à Iemanjá e a Oraniã, da mesma forma que Xangô.
Ao contrário de Xangô, Airá não é um Orixá rei nem possui o caráter, punitivo, vingativo como Xangô.
Este fato, pode ser evidenciado em um de seu itãs:


A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor.
Airá zela pela paz e pela justiça de forma incondicional, ao contrário de Oxalá que representa a paz.
Airá estabelece a paz e possui uma ação mais imediata em suas funções, Airá pode ser qualificado como um sentinela de Oxalufã.
Em diferentes países e regiões africanas em que a religião dos orixás sobreviveu e prosperou, há diferentes variantes das qualidades dos orixás, pois cada grupo, geograficamente isolado, ao longo do tempo, acabou por selecionar esta ou aquela passagem mítica do orixá.
Sua gamela é oval, branca e seus ornamentos prateados.
Seu assentamento é na gamela oval e não leva pilão. A fogueira lhe pertence e é acesa pelo lado esquerdo.


MITOLOGIA

Um dia, passando Oxaguiã pelas terras onde vivia Airá, despertou no jovem grande entusiasmo por seu porte de guerreiro e vencedor de batalhas.
Sem que Oxaguiã se desse conta, Airá trocou suas vestes vermelhas pelas brancas dos guerreiros de Oxaguiã, misturando-se aos soldados do rei.
No caminho encontraram inimigos ao que Osi, medroso que era, escondeu-se atrás de uma grande pedra.
Oxaguiã observava a disputa do alto de um monte, esperando o momento certo de entrar nela, mas, para sua surpresa, percebeu que um de seus soldados estava escondido atrás da pedra.
Sorrateiramente Oxaguiã interpelou seu soldado e para sua surpresa deparou-se com Airá que chorava de medo, implorando seu perdão, por haver enganado o grande guerreiro branco.
Oxaguiã, por sua bondade e sabedoria, compadeceu-se de Airá.
No entanto, como punição pela mentira de Airá, decidiu que naquele mesmo dia o jovem voltaria à sua terra natal vestindo-se de branco e nunca mais usaria o escarlate, devendo dedicar-se a arte da guerra para poder seguir com ele em suas eternas batalhas.
Temos também esse itã que coloca de maneira bem segura e determinante um ritual comum no Brasil que inclusive desvencilha do dogma da Igreja Católica.
Segundo os mitos, Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse do fato.
Grandes calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em
todo o reino, em sua homenagem.
A festividade conhecida hoje como Águas de Oxalá, remonta a esse acontecimento.
No entanto, Oxalá estava muito alquebrado, ferido e entristecido.
Apesar de toda a atenção que recebeu, a única coisa que desejava era retornar ao seu próprio reino, em Ifé, onde Iemanjá, sua esposa, o aguardava.
Xangô não podia acompanhá-lo, pois precisava colocar em ordem o próprio reino e pediu a Airá que fizesse isso em seu lugar.
Foi assim que Airá tornou-se o companheiro de Oxalá, pois a viagem foi muito longa já que Oxalá andava muito devagar pelo fato de ainda estar se recuperando dos ferimentos que adquirira durante os sete anos de prisão.
Durante o dia, eles caminhavam.
À noite, Oxalá sentia frio e precisava descansar.
Para aquecê-lo e distraí-lo dos próprios pensamentos, Airá mandava que acendessem uma grande fogueira no acampamento.
Oxalá observava o fogo e Airá passava longas horas contando-lhe histórias do povo de Oyó.
Desse modo, tornou-se tradição acender a fogueira em de junho de cada ano, no Brasil, em homenagem a Airá e à viagem que fez em companhia de Oxalá.


ARQUÉTIPO

Airá dá aos seus filhos um ar altivo e de sabedoria, prepotente, equilibrado, intelectual, severo, moralista, decidido, espírito jovem, perigoso, violento, intolerante, mas são brincalhões, alegres, gostam de dançar e cantar.
Os filhos de Airá, são autoritários, voluntariosos, enérgicos, calmos, teimosos, orgulhosos e guerreiros alternadamente, não sabem guardar segredos, faladores, fofoqueiros, apegados a família.


TÍTULOS

Adjàosì : quer dizer Osi, esquerda. É o eterno companheiro de Oxaguiã.

Álàmódè ,Módè ou Mófè : É considerado o pai das águas quentes, pouco difundido nos terreiros, este Aira vem acompanhado de Oxum Iopandá. Conta o mito que Modé vestiu-se de Oxun para ser confundido durante uma busca para prende-lo, sendo assim, geralmente ele é cultuado sendo "Iyagba", seus animais são fêmeas e seus filhos geralmente mais delicados, ardilosos que choram com facilidade para chegarem ao seu alcance.

Etinjà: Depende de Ogun para caminhar, é guerreiro e cruel.

Ibonã ou Igbonam: É um título de Airá que significa floresta de fogo, o quente, é considerado o pai do fogo, tanto que na maioria dos terreiros, no mês de junho de cada ano, acontece a fogueira de Airá, rito em que Ibonã dança sempre acompanhado de Iansã, dançando e cantando sobre as brasas escaldantes das fogueiras. Conta o mito que Ibonã foi criado por Dadá, que o mimava em tudo o que podia. Não havia um só desejo de Ibonã que Dadá não realizasse. Um dia Dadá surpreendeu Ibonã brincando com as brasas do fogão, que não lhe causavam nenhum dano. Desde então, em todas as festas do povoado, lá estava Airá Ibonã, sempre acompanhado de Iansã, dançando e cantando sobre as brasas escaldantes das fogueiras.

Intile : Título de Airá que quer dizer O dono da Casa.
É o filho rebelde de Obatalá, muito difícil, causando dissabores a Obatalá.
Ligado a Iemanjá Sobà.
É dele o mito que conta a primeira vez que Airá Intile se submeteu a alguém. Um dia, Obatalá juntou-se a Oduduá e ambos decidiram pregar uma reprimenda em Intile. Estava Intile na casa de uma de suas amantes, quando os dois velhos passaram à porta e levaram seu cavalo branco.
Airá Intile percebeu o roubo e sabedor que dois velhos o haviam levado seu cavalo predileto, saiu no encalço.
Na perseguição gritava e esbravejava quando encontrou Obatalá.
O velho não se fez de rogado, gritou com Intile, exigindo que se prostrasse diante dele e pedisse sua benção.
Pela primeira vez Airá Intile havia se submetido a alguém. Airá tinha sempre ao pescoço colares de contas vermelhas.
Foi então que Obatalá desfez os colares de Airá Intile e alternou as contas encarnadas com as contas brancas de seus próprios colares.
Obatalá entregou a Intile seu novo colar, vermelho e branco.
Daquele dia em diante, toda terra saberia que ele era seu filho.
Come também com Bará.


Lojó : Título que faz referência à chuva.

Óbómìn, Bómìn ou Ygbómìn : mais um título de Airá. É bom, conselheiro, dono da verdade, reina nas águas junto com Oxum foi ele que Oxalá transformou em seu primeiro ministro. Não faz nada sem perguntar a Oxalá.

Orégedé: Muito guerreiro ele também lutou contra Ogun.


Curiosidades

ave : Frango branco.

Come : Quiabos,ori,pepino arroz, a canjica e o mingau de acaçá.

Cor : Branco.

Dia : Sexta-feira.

Folhas: Agrião, Manjericão

Impedimento: Sal e azeite de dendê.

Manifestação: Raio, redemoinho, furacão.

Natureza : Ar ,+

Ornamentos : prateados.


OXUM OPARÁ


Entre todas as qualidades de Oxum, Opará é a mais guerreira, companheira de Ogun, aparece muitas vezes ao lado de Xangô. É um orixá de grandes particularidades, afinal ela une dois elementos: a água e o vento, o que explica sua ligação tão forte com Oyá, os antigos dizem que “Onde mora Opará mora Oyá, Opará não come sem Oyá”. Carrega Abebé, o espelho e também a Adagá, a espada, que representa sua porção guerreira. Em alguns momentos aparece também guerriando com Ypondá, outra qualidade guerreira, com diz a cantiga:

“Kiloxê mi Opara, Kiloxê mi Ypondá
Reue, reue reue kiloxê mi Opara”

Sua comida é o omolokun com ovos, um pouco mais carregado no dendê, afinal a especiaria a agrada por sua ligação com Ogun, assim também está ligada ao mariwô. Sua cor é dourado e também pode se colocar em suas roupasa a cor rosa. Assim como pencas de metal jogadas em saia, afinal está ligada ao metal.


É representada pelas fortes quedas d’água e também na pororoca, com diz a lenda “Onde dois rios se encontram lá está Opará sempre lutando por seu espaço”. Entre muitos mitos que rondam essa qualidade o mais marcante é aquele onde ela se funde com Oyá, após ter a enganado, fazendo com que Oyá visse o seu lado ruim refletido no espelho. Seus mitos vem da região de Osogbô e também Oyó.

Suas filhas são autenticas e de personalidade forte, carregam consigo as magoas e tristezas da vida, tem poucos amigos e sempre são ponderadas e justas, onde muitas vezes a sua sinceridade chega a machucar. São vaidosas porém não vivem em pró a seu égo. Tem um lado espiritual muito aflorado para o ocultismo e adoram presentear as pessoas.


FONTE: https://www.facebook.com/PrincipeLogunEde

quarta-feira, 15 de maio de 2013

OYÁ TOPÉ


O culto a Topé é yorubá, sendo ela a própria combustam, ou seja, o encontro do atrito com o vento, que dá origem ao fogo, Topé é aquela que caminha com Esú, Xangô e Ogum. Suas cores são, marrom e vermelho, carrega adaga de cobre enfeitada de pedras vermelhas.

Oyá Topé e Inà
...
Por onde Esú Inà passava, deixava um rastro de destruição, pois tudo pegava fogo, as pessoas tinham muito medo dele, e por isso ele exercia certo poder, contudo Iná queria dividir uma mesa, falar com as pessoas, sem que tivesse que atear fogo nas coisas, sendo que Inà nasceu do encontro do trovão com a terra, ele foi pedir conselho a Xangô, sobre o que fazer, então foi aconselhado a procurar ifá, que disse:

- Inà, enquanto houve ar, existirá fogo, vá à busca de quem controla o vento, ao norte existe uma jovem feiticeira que tem o poder de mudar as correntes de ar, invocar os tufões e controla o fogo, o nome dela é Topé.

- Mas como vou encontrá-la? Disse Iná

- Após o grande lago, existe uma montanha de dois picos, sua até o momento onde elas se dividem lá onde o vento faz curva e o eco te engana. Só lembre-se de levar um pote com dendê para presentea-la.

Assim Esú foi à busca da tal moça de poderes miraculosos, andou, andou até que encontrou a tal montanha, como a terra era seca, seu fogo nada queimava apenas os bichos que dele fugia. Chegando onde Ifá disse, ele gritou por Topé e seu eco por nove vezes se repetiu. Então surgiu ela, envolta de pele de búfalo e tecidos vermelhos, da cor do fogo. Inà tratou logo de se apresentar e pedir ajuda, ela então olhou bem para ele, e disse que o ajudaria, mas em troca ele teria que dá a ela o poder sobre a chama e assim fizeram um acordo.

Topé demorou meses para confeccionando algo que ela mantinha em segredo, até que um belo dia, ela acordou Inà com uma pele aos braços, enfeitada de búzios, negra, e jogou em cima dele, no mesmo momento seu fogo se apagou, e ela repetindo o que Ifá disse, explicou que se abafasse seu corpo ele pararia de emanar chamar, feliz por poder controlar seu poder, ele cortou um pedaço da própria pele e jogou no pote que havia trazido com dendê, e no mesmo momento a chama e o vento desenhou um tufão de fogo.


FONTE: https://www.facebook.com/PrincipeLogunEde

ODÉ KARÊ


Na África é cultuado nas matas do bairro Kare, próximo a Osogbô e aqui no Brasil é considerado filho de Odé com Yemanjá, contudo ao contrário de sua irmã, Oxum Karê que vive entre a água doce que encontra a salgada, ele vive com seu pai, porém esse caminho é um aspecto mais jovial da família dos Odés, sendo a grande maioria ligada a caça noturna, só que Odé Karê foge a regra, pois é associado a ...caça de pequenos animais a pesca em grande escala, por isso podemos usar uma pequena rede em suas roupas e a história que narro abaixo explica o porquê ele pode usá-la:

Itan - Odé Karê e a Oxum Karê


Odé Karê e Oxum Karê, desde pequenos viviam disputando tudo, assim como não havia nada que concordassem. Enquanto cresciam, Odé e Yemanjá observavam a rivalidade e então chegará a hora dos dois entenderem que sendo irmãos teriam que conviver e se completar, afinal ambos nasceram da mesma lágrima que correu do rosto de Yemanjá.

Seus pais então decidiram propor uma disputa, deram a cada um o ofá e uma rede, para que aquele que conseguisse mais caças e pescas venceria então a disputa, contudo cada um teria que trazer o mesmo número caças e de peixes. E assim Odé Karê e Oxum Karê seguiram mata adentro, e no primeiro dia ainda distante da água tiveram que usar o ofá, Odé Karê tinha uma visão mais aguçada e conseguiu maior número de bichos que sua irmã, porém na hora da pesca Oxum Karê que era mais estrategista que seu irmão colocou sua rede próxima ao leito do rio e jogou algumas sementes e logo conseguiu pegar grande número de peixes, deixando seu irmão irritado.

Enfim acabou a caçada e a pescaria e ambos voltaram para junto de seus pais, ao chegar apresentaram suas conquistas e então Odé e Yemanjá olharam para ambos e disseram:

- Odé Karê, por que conseguistes tantas caças e tão poucos peixes?

- Porque sou melhor no Ofá meu pai – Disse ele

- E tú Oxum, porque conseguistes tantos peixes e tão poucas caças?

- Porque sou melhor na pesca do que na caça em terra...

Assim Yemanjá juntou o que ambos tinham trazido e disse a eles:

- Olhem, ambos são meus filhos e ambos são bons separados, mas podem ser bem melhores juntos!

Assim Odé Karê e Oxum Karê entenderam que unidos poderiam muito mais e decidiram então parar de brigar e se unirem, onde ele a ajuda caçar e Oxum Karê ajuda ele na pesca.

Roupas e Aparamentas

Usa roupa azul claro com um pouco de doura e também salmão. Usa Ofá e Erú, em alguns axé carrega nas costa a abebé que representa sua irmã.

Comida

Axoxó, ado e acarajé, assim como frutas e carpa assada. Tudo que é feito a ele deve ser bem apresentado, bem feito e com bastante tempero de camarão.

FONTE: https://www.facebook.com/PrincipeLogunEde